Perguntas e respostas sobre COVID19 na escola

Dr. José Carlos tira dúvidas sobre o retorno das aulas presenciais.

Olá pessoal;

Respondendo às perguntas: 

1-     O uso de máscaras pelas crianças é obrigatório a partir de qual idade?

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, Academia Americana de Pediatria e também o protocolo do Hospital Albert Einstein crianças abaixo de dois anos estão liberadas do uso de máscaras, pois corre o risco de sufocamento, crianças pequenas até seis anos podem usar máscaras adequadas (menores e que cubram o nariz e a boca), acima dessa idade o uso já se torna mais fácil. Vale a pena lembrar que a obrigatoriedade do uso de máscaras em crianças pequenas deve ser relativizada, crianças levam muitas coisas à boca e se a máscara ficar suja o seu uso não se justifica. A máscara deve ser apresentada à criança de forma lúdica e partir também do exemplo do adulto que usa e se cuida da mesma forma (lavando as mãos e evitando levar tudo à boca). Na prática, crianças pequenas podem ficar sem máscaras, mas priorizando os outros cuidados higiênicos (distanciamento social, lavagem cuidadosa doas mãos e evitando troca de objetos e roupas) 

2-     Se num grupo de crianças de diferentes idades, parte do grupo não utiliza a máscara, em que medida de proporção esta criança coloca o grupo em risco?

Somente o uso de máscara não previne, nem justifica a obrigatoriedade de seu uso em crianças pequenas, porque, simplesmente elas não se sentiram confortáveis e a retirarão as máscaras, deixando-as contaminar, jogando-as no chão, sujando-as, o que já inviabilizaria o seu uso. Outras medidas devem ser enfatizadas. 

3-     Quais são as diferenças de sintomas e capacidade de propagação da nova cepa brasileira?

As novas cepas do CORONAVÍRUS (P-1,ou variante de Manaus como ficou conhecida) apresentam sintomas similares àqueles já conhecidos (febre, tosse, dor de garganta, cansaço e dores musculares), mas essa cepa parece que atinge principalmente o paladar e o olfato e é também bastante contagiosa por apresentar uma carga viral mais alta quando comparada às outras cepas já conhecidas. A tríade: espirros/tosse, dores de cabeça, dores de garganta são os sintomas precoces mais comuns. Segundo o governo britânico essa nova variante pode ser 50 a 70% mais transmissível que outras cepas do vírus. Mas até agora não se tem confirmações sobre o aumento da gravidade, apenas de sua transmissibilidade que é maior. 

4-     Existem notícias mais recentes de que tem crescido o número de crianças infectadas. Esta é uma realidade? O que tem acarretado esta mudança, que difere de momentos anteriores da pandemia? Este crescimento tem relação com a retomada das atividades presenciais nas escolas?

Essa é a pergunta que vale um milhão e se fosse somente essa a causa do crescimento do número de casos ficaria fácil, mas não é tão simples assim. O número de crianças infectadas subiu muito (calcula-se em torno de 150%) comparativamente com os últimos meses de 2020, esse aumento exponencial aconteceu certamente devido à contaminação dos pais e adultos que agem como transmissores e também à exposição das próprias crianças que deixaram de ficar isoladas. No mundo o número de crianças infectadas pelo Coronavírus é em torno de 5%. Se temos um número grande adultos infectados também teremos proporcionalmente um aumento do número de casos em crianças. Como houve um afrouxamento no isolamento e um descuido com as normas básicas de higiene e contaminação as crianças ficaram mais expostas.

É importante que se diga que as crianças apresentam formas menos graves da doença, porque possuem geralmente menos comorbidades do que os adultos, mas também podem ser portadores assintomáticos da doença.

A retomada das atividades escolares em si não teria tanta repercussão se forem tomados os cuidados necessários, afinal a pandemia não acabou, sequer diminuiu, aqui no Brasil temos um patamar elevado de mortes e a faixa etária se modificou, em abril/2021 pacientes entre 20 e 29 anos tiveram um aumento maior no total de mortes por COVID 19 (dados da FIOCRUZ/RJ). Ou seja, não se considera mais um grupo de risco, a doença atinge a todos, pessoas de 40 a 49 anos apresentaram um grande crescimento no número de casos. A circulação do vírus permanece ainda bastante intensa atingindo todas as faixas etárias. Existem cinco casos registrados cujas autópsias revelaram morte devido à covid-19 (Hospital das Clínicas – FMUSP/SP). 

5-     Como deve ser feita a higienização dos banheiros durante o período das aulas, o que inclui os cuidados com as crianças que ainda utilizam fraldas?

As áreas comuns exigem cuidados mais frequentes e também restringir o uso concomitante de várias pessoas nesses espaços. Uso de papel toalha, sabonete líquido através de dispensadores, lixeira com tampa com saco plástico e abertura sem contato manual. Deve-se ensinar a criança a lavagem correta das mãos e caso as torneiras não sejam do tipo abre-fecha por acionamento automático, as mesmas devem ser lavadas antes da higienização das mãos para que não aconteça a contaminação, assim como o uso das maçanetas das portas que precisam ser constantemente higienizadas.

Uso de lenços descartáveis para higiene nasal e orientar que após o uso do vaso sanitário a tampa deverá ser abaixada antes da descarga de água e também a válvula deve ser higienizada com mais frequência.

6-     É recomendável para os professores e toda a equipe, o uso do Face Shield além das máscaras?

As máscaras, desde que sejam trocadas e mantidas suas condições de higiene (com material adequado e trocadas a cada duas horas) e também mantido o isolamento e a limpeza frequente das mãos seriam suficientes.

7-     Em caso de contaminação de uma pessoa da equipe e/ou de uma criança, qual o procedimento a ser adotado pela escola?

Pessoas infectadas com o Coronavírus costumam apresentar sintomas após 4 a 5 dias após contaminação, quando essa suspeita é confirmada a o isolamento é necessário, os contactantes também devem ficar isolados. Então, se o pai contraiu a doença e foi confirmado esse diagnóstico, os filhos, a mulher, a família deverá ficar resguardada, no mínimo por quatorze dias e, evidentemente, além de procurar ajuda médica, também avisar (nesse caso) a escola que a criança teve contato com alguém portador de COVID19 e ficará em casa durante as próximas duas semanas (algo em torno de 14/15 dias).

A comunidade escolar se cuida e se protege, esse conceito deve ser entendido por todos, desde o funcionário que recebe as crianças na porta, os professores, as famílias, as crianças, todos fazem parte dessa grande fraternidade que é a escola. É preciso que aja transparência e compaixão, cujo significado é aquilo que suscita em nós um impulso altruísta de ternura e cuidado para com o outro. Desse modo também ensinamos a criança que cuidar do outro também é cuidar de nós mesmos. 

8 – Frequentar a escola por menos dias na semana é mais seguro?

O fato de frequentar menos dias não significa, por si só, essa segurança preterida, pois a contaminação independe disso, mas se nos dias em que a criança vai à escola os critérios de isolamento social, higiene das mãos, limpeza com álcool em gel, uso de máscaras, evitar a troca de material, roupas e objetos, então a contaminação pelo vírus está sendo cuidada. Frequentar a escola menos dias diminui os riscos de contaminação, desde que nos dias frequentados as normas higiênicas sejam mantidas, isso é mais importante.

9 – Frequentar a escola somente na oficina* da tarde é mais seguro?

(referente: a escola oferece uma vez por semana, oficina no período da tarde, onde as crianças almoçam na escola e ficam até as 16h)

Voltar ao ritmo escolar é algo que devemos mesmo considerar, para as crianças pequenas a socialização com outras crianças faz muita falta, frequentar a oficina, trabalhar com papel, madeira, tinta, enfim retornar às atividades lúdicas é muito benvinda, mas os mesmos cuidados mencionados acima devem ser mantidos.

Sobre as refeições na escola, considero que seria um risco a mais, caso a escola/família decidam isso não devem ser repartidos os lanches ou as bebidas (assim como os bebedouros comuns também devem ser evitados.

10 – Muito se fala sobre a importância do convívio com outras crianças. Baseado em todos os seus conhecimentos e experiência e pensando no período de exceção que estamos vivendo (pandemia), como o senhor vê a necessidade de frequentar a escola versus os cuidados necessários na pandemia?

As crianças adoeceram muito durante a pandemia, observo na minha prática clínica que muitas delas ficaram mais retraídas, mais tristes também, quase a totalidade ficou sem ritmo, algumas acordam tarde (porque também adquiriram o hábito de dormir tarde, pois não tem necessidade que acordar cedo no dia seguinte), ficam de pijama e passam horas na frente da TV ou celular, o que é um CAOS, que vai dar muito trabalho para retirar, mas que é preciso refletir sobre isso. As crianças não encontram seus amigos, sua professora, seus brinquedos na escola, sente falta desse convívio e empobrece muito sua vida psíquica. Por outro lado, percebe que a família ficou mais “junta”, o pai fica agora mais em casa (Home office), esse contato que em algumas famílias era mais esporádico e talvez restrito aos fins de semana agora se tornou frequente, o que é ótimo para essa estrutura familiar, então falo para os pais aproveitarem muito isso, porque agora (por uma situação muito especial e talvez não desejada, mas podendo ser aproveitada), a família “se cuida” – “um cuida do outro”, não é preciso explicar para a criança o que é o CORONAVÍRUS, ela ouve isso dos adultos o tempo todo (também é preciso filtrar esses comentários na frente das crianças), mas quando o pai ou a mãe diz para a criança que a família dela está se cuidando e os amigos também estão fazendo o mesmo em suas casas, que eles, adultos, também estão com saudades dos seus amigos e que podem fazer desenhos, cartões, objetos para presentear os amigos e de vez em quando falar com eles pelo celular (desde que não vire um hábito exagerado) e isso também vale para os avós, os tios e tias e as outras pessoas que a criança agora não vê com a frequência de antes. Os pais podem desligar a TV e comentar sobre essa família, contando histórias, causos e também relembrar episódios de quando eram crianças. Muito se fala: “isso tudo vai passar!”, gosto de salientar que, realmente, essa infância, esse tempo em que a criança se volta com toda reverência para os adultos à sua volta (principalmente seus pais), também vai passar, portanto, vale muito a pena aproveitar esses momentos de família.

11 – O que se descobriu nesse período de pandemia sobre a doença? O que se sabe hoje que não se sabia quando tudo começou? Em relação a riscos e prevenção.

A pandemia não vai ceder enquanto não forem tomados os cuidados recomendados desde seu início: isolamento social, higiene das mãos e uso de máscaras. O vírus realmente “se alimenta e se propaga” com esse ajuntamento de gente, que parece ser muito difícil das pessoas entenderem. Logicamente que todos estão terrivelmente cansados de ficarem isolados de todos, de dar abraços e beijos, de sair, ir no shopping, passear, etc… mas agora ainda não dá.

Os riscos somente pioraram, agora com as novas cepas, no que se refere à transmissibilidade, porque os cuidados ainda não foram realizados a contento. Infelizmente também, mesmo no meio médico, existem muitos mitos e bobagens que são propagadas, incluindo a grande crueldade em divulgar que existe tratamento preventivo ou a ineficácia da vacina, mais que bobagens essas informações são falsas e maldosas e não ajudam em nada ao enfrentamento eficaz sobre essa doença.

Portanto, além dos cuidados como isolamento social, distanciamento de 2 metros, higiene cuidadosa das mãos, uso de álcool em gel e uso correto de máscaras (que devem ser trocadas e colocadas em sacos plásticos limpos quando não utilizadas), vacinar toda a população assim que for possível e continuar se cuidando porque, infelizmente a taxa de mortalidade ainda é muito grande. 

12 – As áreas de estudo em que o senhor tem formação (Antroposofia) têm realizado pesquisas sobre a doença e seus impactos no ser humano? Se sim, o que tem a dizer sobre os impactos na criança?

Especificamente não tenho conhecimento se pesquisas assim estão sendo realizadas, como atendo a várias escolas (pedagogia Waldorf) aqui em São Paulo, Cuiabá e Bahia, acompanho as dificuldades das instituições, dos professores e das famílias que sofrem muito com essa pandemia. Um pouco dessas observações que faço aqui diante dessas perguntas que vocês enviaram e também o que pretendo ressaltar na LIVE do dia 13/05 (quinta-feira – 19h:30), fazem parte do meu repertório como médico pediatra e escolar atendendo crianças e famílias e percebo sim que existe uma espécie de “desilusão” por parte dos adultos, pois não conseguem visualizar um futuro promissor e ainda bastante distante, as crianças (principalmente as pequenas) que imitam os adultos e absorvem essas angústias também adoecem. Não se trata, evidentemente, de descartar as dificuldades (algumas famílias literalmente desabaram nesses últimos meses, com perdas físicas e financeiras), mas precisamos pensar que as crianças das quais temos grande responsabilidade ainda não tem estrutura psíquica, nem repertório emocional para lidar com isso, então cabe aos adultos se “reinventarem” e procurarem novas soluções. Gosto muito do pensamento de Paulo Freire que dizia que: “vale a pena esperançar”, que é diferente de ter esperança, porque esperançar é se colocar a serviço, de fazer a esperança acontecer de fato, isso para mim faz toda a diferença, ter coragem, confiança e ação para modificar, com nossos próprios recursos, aquilo que temos à nossa frente.

 Otimista é um tolo. O pessimista é um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso. Ariano Suassuna.

Abraços a todos,

José Carlos Machado

Médico escolar.


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